"As vítimas são todas civis inocentes e morreram carbonizadas", indicou um responsável do governo regional do Tibete, citado pela agência.

Segundo um comerciante chinês de Lhassa, contactado por telefone, "as pessoas viram monges a atacar os han (etnia maioritária chinesa) com facas".

"Polícias ficaram feridos, mas os monges também atacaram pessoas na rua", afirmou.

O presidente da região autónoma do Tibete, administrada pela China, Qiang Ba, afirmou hoje que as forças da ordem não dispararam contra os manifestantes.

Durante a noite, a Nova China indicou que as forças da ordem procederam a tiros de aviso.

Segundo o governo regional do Tibete, citado pela Nova China, nenhum estrangeiro ficou ferido durante as manifestações, as mais sangrentas em Lhassa desde a rebelião de Março de 1989.

As acusações chinesas de que o Dalai Lama fomentou as recentes manifestações violentas no Tibet “não têm qualquer fundamento”, afirmou entretanto o porta-voz do líder espiritual tibetano, que vive no exílio em Dharamsala, na Índia.

O governo tibetano no exílio possui "informações não confirmadas" indicando que cerca de uma centena de pessoas morreram nos incidentes registados no Tibete, informou um porta-voz da Administração Central Tibetana, Thupten Samphel.

O Executivo tibetano no exílio, recebeu "relatórios com informações não confirmadas provenientes do Tibete" que contradizem a versão oficial das autoridades chinesas, que cifram o número de vítimas mortais em dez.

Segundo Sampel, um desses relatórios acrescenta que o Exército chinês enviou tanques de guerra para as ruas da capital, para reprimir as manifestações dos monges tibetanos e população civil que protestava contra a ocupação chinesa do território.

Por outro lado, informou que o chefe espiritual do Tibete, o Dalai Lama, comentará este domingo, em conferência de imprensa, os incidentes em lhasa.

“Podemos assegurar de forma categórica que estas acusações são absolutamente sem fundamento e desprovidas de qualquer verdade”, disse Chhime R. Chhoekyapa, que assegurou que as manifestações foram espontâneas.

A China tinha acusado o Dali Lama de estar por detrás das manifestações que abalaram o Tibet, as mais violentas dos últimos 20 anos.

Com a aproximação dos Jogos Olímpicos de Pequim, os tibetanos estão a tentar chamar a atenção do Mundo para os seus protestos contra a ocupação ilegal da sua pátria pela China. As manifestações marcam o aniversário do levantamento popular de 1959, que foi esmagado pelo exército chinês e obrigou o Dalai Lama ao exílio. 

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Louise Arbour, expressou a sua preocupação sobre a situação no Tibet e apelou ao governo chinês para permitir as manifestações pacíficas dos tibetanos.

Em comunicado, pede a Pequim para “permitir aos manifestantes o seu direito de liberdade de expressão e de reunião”, para não usar “força excessiva” para manter a ordem e para que eventuais presos não sejam maltratados.

Os manifestantes anti-chineses queimaram lojas e automóveis na capital tibetana, Lhasa. Há testemunhas que afirmam que as autoridades chinesas disparam contra os manifestantes matando pelo menos duas pessoas.

A China afirma que os manifestantes atentaram contra a ordem pública e contra bens e vidas, mas que as autoridades são “capazes de manter completamente a estabilidade social” no Tibete.

A comunicação social chinesa de sexta-feira não noticia os acontecimentos no Tibete.